Uma cidade à procura de um feliz Natal e de um ano novo feliz

Publicado em 23 de dezembro de 2025

Uma cidade à procura de um feliz Natal e de um ano novo feliz

Eu poderia escrever aqui sobre uma cidade enfeitada e feliz, vivendo no clima de festa que o espírito natalino traz nos dias que antecedem o Natal. Seria uma história contando da felicidade dos moradores em viver numa cidade aonde o poder público existisse de verdade, sem fantasia, que atendesse os moradores em todas as suas necessidades. E que o gestor não enganasse a população com obras fantasiosas, superfaturadas, desviando o dinheiro público para o seu bolso.

A história de uma cidade aonde o gestor não se aproveitasse da ignorância do povo, prometendo transformar os bairros num paraíso, só porque asfaltou duas ou três ruas. Uma cidade onde o sistema público de saúde atendesse os moradores com bons médicos e não médicos saídos das faculdades diretos para os hospitais públicos e sem nenhuma experiência, sem filas e com medicamentos nos postos de saúde e no hospital e, aonde crianças não morressem por mau atendimento no hospital infantil.

Seria a história de uma cidade onde a educação pública fosse de qualidade, com os professores qualificados e recebendo bons salários e que não fingissem ensinar para as crianças e jovens, onde a merenda escolar seria de qualidade. Uma cidade onde os moradores das periferias não sofressem tanta violência e os jovens não estivessem expostos às drogas.

Algum leitor poderia dizer: “não existe uma cidade assim”. Eu diria a esse leitor que existe sim e que o julgamento dele sobre isso decorre da experiência de viver dentro do que oferecem a ele, uma péssima qualidade de vida e que ele está acostumado a conviver com o que os gestores  deixam de oferecer, desviando recursos e negando aos moradores o que eles têm direito, uma boa qualidade de vida.

Eu desejo um Feliz Natal aos moradores de uma cidade que não é assim, como foi descrita acima, porque o Natal de cada morador independe do gestor corrupto, ladrão, mentiroso, aproveitador da ignorância do povo, o Natal é uma mistura de celebração religiosa (nascimento de Jesus), união familiar e de amigos, reflexão sobre o ano que passou e esperança para o futuro. É um tempo de generosidade, amor, perdão e gratidão, dependendo das suas crenças e experiências pessoais, mas envolve sentimentos de afeto e renovação, focando no "verdadeiro sentido" ou na magia da data.

Já não fico à vontade em desejar um Feliz Ano Novo, porque enquanto o gestor de uma cidade assim permanecer, o novo ano será a repetição deste que vai findar.

 

Fonte: Por Érico Cavalcanti