Em tempo de Copa do Mundo, vereador Ronaldo Cordeiro na CPI da Saúde chuta pra fora, dá um bico no povo e sai
Publicado em 12 de junho de 2026

O vereador Ronaldo Cordeiro disse que: “a investigação não se sustenta”. Só tem um problema: os documentos estão abertos há mais de 30 dias e ele nunca pediu pra ver. Nem uma página. Nem uma folha. Nada. Quinta-feira de manhã, plenário cheio na Câmara de Teixeira de Freitas. A CPI da Saúde ouvia sua primeira testemunha: o Presidente do Conselho Municipal de Saúde, que jurou dizer a verdade, levou dois advogados e foi direto ao ponto. O que ele contou é de cair o queixo:
-- “A Prefeitura entregou os hospitais e a UPA da cidade para uma empresa de fora, num contrato de quase R$ 195 MILHÕES”— “sem passar pelo Conselho de Saúde, como manda a lei”.
-- “O Conselho avisou 49 dias antes da assinatura: “esse processo tem problema, suspendam”. “A Prefeitura assinou assim mesmo. E nunca respondeu”.
-- “Até hoje, o Conselho não sabe pra onde foi o dinheiro. Pediu extratos, pediu comprovantes, pediu prestação de contas. Não recebeu nada”.
Na plateia, em silêncio, estava a mãe de um jovem que morreu no Hospital Municipal — hospital administrado justamente pela empresa contratada.
Foi nessa hora que o vereador Ronaldo Cordeiro resolveu se levantar. Não pra perguntar nada à testemunha. A ata da sessão registra: falou sem fazer uma pergunta sequer.
“Isso aí se resolve em reuniãozinha”
O vereador Ronaldo Cordeiro disse que esse assunto não precisava de CPI. Que dava pra resolver em “reuniões internas” e “audiências públicas”. Que a investigação “não se sustenta tecnicamente”. E que os problemas apontados são, na opinião dele “sanáveis” ou seja, tipo uma coisinha que se conserta. Coisinha? Num contrato de R$ 195 milhões!! Do dinheiro SUA saúde?!.
Um assunto seríssimo, um contrato milionário da saúde pública, assinado sem atender o aviso do Conselho de Saúde, aparece o vereador Ronaldo Cordeiro dizendo que investigar é exagero? É “sanável” como? Quem conserta? Quem responde? Ou a ideia é consertar em silêncio, sem ninguém saber como o erro aconteceu e quem deixou acontecer?
A resposta que Ronaldo Cordeiro não esperava
O Relator da CPI, vereador Cláudio Oliveira, soltou a informação que desmontou tudo na frente de todo mundo: “Os documentos da CPI estão disponíveis há mais de 30 dias. E o vereador que criticou NUNCA pediu pra ver. Nem um ofício. Nem um pedido. Nada.”
A presidência da Comissão confirmou na sequência: os editais da CPI saem no Diário Oficial, todos os vereadores são convidados, e até aquele dia nenhum vereador tinha mandado um único pedido de acesso.
Pasmem os leitores: o vereador Ronaldo Cordeiro chegou dizendo que a investigação “não se sustenta tecnicamente” sem nunca ter lido uma página da investigação. Como é que ele dá parecer técnico sobre o que nunca leu? Baseado em quê? Em qual documento? Em qual página? Isso não é análise técnica. Já que estamos vivendo a Copa do Mundo, isso é torcida. E torcida pra quem???? É a pergunta que fica.
Criticou, não perguntou, não leu e foi embora
O vereador Ronaldo Cordeiro ainda insistiu uma segunda vez: que o objeto da CPI seria “genérico”. A presidência da Comissão respondeu com documento na mão: a Nota Técnica do Conselho de Saúde, que registra claramente sem deixar dúvidas, que o contrato foi assinado sem a aprovação que a lei exige. Genérico aonde Ronaldo Cordeiro??
E o final da história a própria ata conta: na hora de encerrar a sessão e colher as assinaturas, o vereador já tinha ido embora. O Relator fez questão de registrar a ausência. Resumindo a obra: não perguntou nada à testemunha, não pediu os documentos em mais de um mês, não apresentou um dado sequer, mas tinha certeza de que a CPI não presta. Falou e saiu. Quem tem argumento fica e defende. Quem tem só incômodo levanta e vai embora.
As perguntas que o povo merece fazer
Não estamos aqui acusando ninguém. Mas perguntamos, porque perguntar é direito de todo cidadão que paga imposto:
-- A quem interessa enfraquecer uma CPI que investiga R$ 195 milhões da saúde?
-- Por que chamar de “coisinha sanável” um problema que ele sequer, como vereador, se dignou a examinar?
-- Por que o desconforto com a investigação apareceu justamente no dia em que o Presidente do Conselho de Saúde confirmou, sob juramento, que o aviso do Conselho foi jogado no lixo?
-- E a mais simples de todas: se está tudo certo, por que tanto medo de investigar?
E agora?
A CPI continua. O Conselho de Saúde tem 10 dias úteis pra entregar atas, ofícios e a Nota Técnica completa. A próxima reunião da Comissão já está marcada: 18 de junho, 9h da manhã. E um aviso aos vereadores. Atenção, os documentos seguem onde sempre estiveram: abertos. Pra qualquer vereador que queira ler antes de opinar.
O povo de Teixeira de Freitas está de olho. E este portal também.
Aqui vai um convite ao vereador Ronaldo Cordeiro citado aqui, o espaço está à disposição para se manifestar, com publicação integral garantida.
Fonte: Por Érico Cavalcanti Lêdo

