MPF investiga suposto esquema de corrupção na compra de livros didáticos em Teixeira de Freitas

Publicado em 18 de março de 2025

MPF investiga suposto esquema de corrupção na compra de livros didáticos em Teixeira de Freitas

O contrato foi assinado em 13 de dezembro de 2022 e o pagamento integral de R$ 1.522.362,00 foi feito apenas 14 dias após a assinatura do contrato

MPF investiga suposto esquema de corrupção na compra de livros didáticos em Teixeira de Freitas

Imagem ilustrativa: redes sociais

O Ministério Público Federal está apurando uma denúncia que aponta um suposto esquema de corrupção envolvendo o prefeito de Teixeira de Freitas, Marcelo Gusmão Pontes Belitardo (União Brasil), e a ex-secretária municipal de Educação, Regiane Chuait Miranda. A investigação gira em torno da compra de livros didáticos sem licitação, com indícios de superfaturamento e uso irregular de recursos do FUNDEB 30%.

A aquisição da coletânea intitulada "Coleção Fluir das Emoções" foi realizada por inexigibilidade de licitação – uma modalidade excepcional, permitida apenas quando há inviabilidade de competição. No entanto, a justificativa apresentada pela então Secretaria de Educação do município é considerada frágil e genérica, sem comprovar a exclusividade do material ou a ausência de concorrência no mercado.

Indícios de Irregularidades no Processo

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O prefeito de Teixeira de Freitas, Marcelo Gusmão Pontes Belitardo (União Brasil), e a ex-secretária municipal de Educação, Regiane Chuait Miranda

O processo administrativo nº 2232-2022, que deu origem à Inexigibilidade N°. 4-IL-384-2022, não demonstrou os parâmetros objetivos que justificassem a dispensa de licitação. O parecer jurídico que integra o processo não foi elaborado pela Procuradoria Jurídica do município, mas sim pelo escritório Soares Reis e Advogados Associados, do advogado Michel Reis.

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Curiosamente, no próprio parecer jurídico emitido por Michel Reis, foram apontadas graves falhas processuais, incluindo:

Ausência de justificativa de preço para demonstrar que os valores pagos eram compatíveis com o mercado;

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Falta de um parecer técnico pedagógico que fundamentasse a escolha dos livros.

Mesmo com essas irregularidades apontadas, a ex-secretária Regiane Chuait Miranda deu prosseguimento à compra milionária. Para tentar dar ares de legalidade ao contrato, a gestora solicitou que a Diretora Pedagógica, Maria Claudia Leite dos Santos Almeida, assinasse posteriormente um documento que já havia sido elaborado pela própria secretaria, sem a análise da Comissão Pedagógica composta por professores da rede municipal – um requisito indispensável para a contratação de livros didáticos sem licitação.

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Compra Feita Durante o Recesso Escolar e Pagamento Apressado

O contrato foi assinado em 13 de dezembro de 2022, período de recesso escolar, e o pagamento integral de R$ 1.522.362,00 (um milhão, quinhentos e vinte e dois mil, trezentos e sessenta e dois reais) foi efetuado às pressas em 27 de dezembro de 2022, apenas 14 dias após a assinatura do contrato.

A velocidade incomum da transação levanta suspeitas de favorecimento e direcionamento, reforçando a tese de que o processo foi conduzido de forma irregular e com aparente intenção de burlar os mecanismos de controle e transparência.

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A investigação do MPF pode revelar mais detalhes sobre o esquema, que envolve contratação sem concorrência, parecer jurídico externo suspeito e justificativas frágeis para um contrato milionário. Caso as irregularidades sejam confirmadas, o prefeito Marcelo Belitardo e sua ex-secretária de Educação podem ser responsabilizados por improbidade administrativa, dano ao erário e até crimes contra a administração pública.

O caso promete novos desdobramentos e pode se tornar mais um escândalo na gestão de Marcelo Belitardo, que já enfrenta críticas e questionamentos sobre outras contratações suspeitas.

Em tempo, o editor chefe do portal Zero Hora News, Vanderlei Filho que também é membro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), protocolou notícia crime no Ministério Público Federal (MPF), na Controladoria Geral da União (CGU) e na Delegacia da Polícia Federal em Porto Seguro, para que seja devidamente apuradas as irregularidades constatada.

A reportagem do ZHN analisou diversos outros processos licitatórios conduzidos pelo Setor de Licitações da Prefeitura de Teixeira de Freitas e encontrou diversas suspeitas de irregularidades que serão mostradas nas próximas matérias.

Fonte: Zero Hora News