Bolsonaro: não vamos cultivar o ódio, vamos torcer por Justiça

Publicado em 22 de julho de 2025

Bolsonaro: não vamos cultivar o ódio, vamos torcer por Justiça

Bolsonaro mostra a tornozeleira eletrônica - Foto: reprodução

Acompanho e espero apreensivo, com aquela sensação de “frio na barriga”, (ou como dizem no país do Tramp, já que estamos sob tarifaço, “butterflies in the stomach” – borboletas no estômago – as possíveis punições que estão a caminho do capitão e ex-presidente Jair Bolsonaro.

Antes devo dizer que sou um sobrevivente do Covid-19, depois de ter ficado três meses intubado na UTI e oito meses internado no hospital, escapei de ser um daqueles relacionados entre os 700 mil mortos no país. Escrevo este texto na clínica de hemodiálise em uma das minhas seções da semana, uma vez que os meus rins pifaram, não resistiram aos antibióticos que foram aplicados.

Acompanho ansioso e com atenção essas possíveis punições que estão chegando até o meu algoz Jair Bolsonaro e sinto uma tristeza profunda, uma sensação do peito apertando e um nó na garganta ao lembrar daquelas cenas das pessoas morrendo e sendo enterradas no caixão lacrado e sem ninguém acompanhando o enterro, os mortos solitários.

As minhas sensações não são por vingança, se eu ainda pensasse em vingança eu não teria evoluído nada como ser humano, elas são por justiça. Lembro-me de parentes, amigos, amigas, pessoas queridas que partiram e que eu não estava junto, pessoas boas, cheias de sonhos, deixando filhos e netos.

Essas pessoas, com toda certeza, estariam vivas hoje se Bolsonaro tivesse tomado decisões equilibradas e de responsabilidade. Ao contrário da responsabilidade ele foi irresponsável, debochando das pessoas infectadas, ironizando o sofrimento alheio, chamou de “gripezinha”, estimulou aglomerações e atrasou propositalmente a compra das vacinas.

Bolsonaro sabia. Sabia que as vacinas estavam disponíveis. Sabia que estavam morrendo milhares, mas escolheu o caos. Escolheu a irresponsabilidade, a negligência. Escolheu cometer o crime. Hoje, quando vejo que a brisa traz o ar da justiça que se se move lentamente na direção da punição, penso em cada um dos rostos que o Covid levou e que Bolsonaro, com sua irresponsabilidade criando a política da morte, foi o carrasco que antecipou o fim. Não será possível reparar as perdas, mas devemos ter consciência moral de não esquecer.

Não devemos esquecer quem desdenhou do sofrimento. Não esquecer que Bolsonaro quis brincar de Deus e falhou como ser humano. As punições a Bolsonaro não deverão ser vistas como "perseguição", mas como de fato são passos tardios, mas necessários, para reconstruir o valor da vida num país que sofreu tanto com a mentira, o negacionismo e o desprezo pela ciência.

Não vamos cultivar o ódio, esqueçam. Vamos torcer por justiça.

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Fonte: Por Érico Cavalcanti