As histórias do Duque, aonde a realidade imita a ficção, e um personagem fictício se torna real, "qualquer semelhança é mera coincidência"
Publicado em 02 de julho de 2026

Vou usar o início da letra maravilhosa que Chico Buarque de Holanda fez, para a não menos maravilhosa música de Tom Jobim, Sabiá.
"Sei que ainda vou, vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá.
Que eu hei de ouvir cantar uma sabiá…”
Sabiá é um clássico da música brasileira composto por esses dois gênios Tom Jobim (melodia) e Chico Buarque (letra) em 1968. Eu lembro que a canção foi a grande vencedora do III Festival Internacional da Canção e traz uma metáfora poética e política sobre exílio, saudade e esperança, inspirada na "Canção do Exílio" de Gonçalves Dias.
Parte do público vaiou a decisão do júri, pois torcia fervorosamente por "Pra não dizer que não falei das flores" (de Geraldo Vandré), que era uma canção de protesto mais direta contra a ditadura militar.
Diferente de obras de oposição explícitas da época, Tom e Chico foram leves e utilizaram metáforas sutis. A letra fala sobre a vontade de voltar para o seu lugar e ouvir cantar um sabiá, mas de forma agridoce, abordando a melancolia do exílio a que certamente muitos brasileiros estariam sentindo e a esperança de encontrar um país livre.
Como ando melancólico por força de um autoexílio temporário, sinto saudades do Duque e resolvi buscá-lo na memória. Toda vez que vou ao Duque, fico a imaginar como foi ter vivido algumas décadas passadas naquela micro cidade. É como ir à Roma e ficar olhando aquelas ruínas e imaginar como viviam. Vou lá e os antigos moradores, aqueles que sobreviveram às Dengues, ao Covid, a Hipertensão e ao péssimo serviço de saúde prestado pela prefeitura do Duque, eles repetem as histórias vividas ali.
Contam várias do prefeito que era filho do Zé Carpina, o melhor carpinteiro de toda a região, o filho saiu do Duque e conseguiu se formar em médico. O nome dele era José Astromar, por causa do Zé Carpina que gostava de astrologia, mas quando criança os outros meninos colocaram o apelido de Zé Prego, talvez por causa do pai que carpinteiro, usava pregos. Quando voltou para o Duque, já formado como médico, recebeu o apelido que carrega até hoje e assumiu como apelido político, quando resolveu ser prefeito do Duque, virou Dr. Zé Martelo, o apelido continuou tendo como referencia o pai que usava o martelo.
As histórias do doutor Zé Martelo, como prefeito no Duque, são inacreditáveis. O povo do Duque considera o Dr. Zé Martelo como o prefeito que mais esteve envolvido em corrupção que passou pelo Duque. Todo tipo de corrupção que um prefeito poderá fazer numa prefeitura, o Dr. Zé Martelo fez. Superfaturou obras, fraudou licitações, desviou verbas públicas e inventou um monte de obras pra poder superfaturar e ganhar muito dinheiro. Isso tudo com o consentimento de alguns vereadores e principalmente daquele que era o presidente da Câmara, o Duque tinha uma câmara de vereadores, o vereador Peruquinha. Esse tal peruquinha é outro com várias histórias de corrupção.
O Duque é uma fonte inesgotável de histórias de ficção .Os personagens se esforçam muito para parecerem reais. O Duque como cidade será reconstruída, veremos aqui a primeira parada LGBT do Dique, na gestão do Dr. Zé Martelo, organizada pela procuradora geral do Duque. Foi um sucesso!
Como estamos chegando nas portas de uma campanha política e os personagens políticos se adequam ao Duque, eles enriquecerão as nossas histórias ficcionais.
Não esqueçam: qualquer semelhança será mera coincidência.
Fonte: Por Érico Cavalcanti Lêdo

