A vitória do Lula pode até ajudar a direita de verdade no país

Publicado em 27 de outubro de 2026

A vitória do Lula pode até ajudar a direita de verdade no país

Flávio Bolsonaro

É bom iniciar dizendo que não sou petista e não tenho fanatismo por Lula. Não sou um defensor fanático do lulismo-petista, que é a fusão prática entre o carisma pessoal do Lula e a estrutura partidária do PT, também não chamo alguém que é de esquerda de comunista, desde 1991 quando houve a dissolução oficial da URSS. Como sabem a Rússia foi o primeiro país a ser governado por um partido comunista. Mas aqueles que são  mal-informados continuam a chamar os que são de esquerda de comunistas, assim como os militares que deram o golpe militar de 1964 e que se transformou em ditadura chamavam todos aqueles que eram contra o regime. Eu sou apenas um daqueles que foram convencidos pelo bolsonarismo a votar no Lula em 2026.

Esse movimento antipetista, antilulismo, que recebeu o nome de Bolsonarismo e até confundido com extrema-direita, foi na verdade um movimento que sequestrou a direita, usou a direita para sobreviver. O conceito de "extrema-direita" (ou ultradireita) que está como uma onda avançando, refere-se a correntes políticas que geralmente defendem o nacionalismo acentuado, pautas conservadoras de costumes, forte endurecimento da segurança pública e na imigração. Na política global, diversos países já possuem governos com líderes desse espectro. O bolsonarismo não teve nada que se assemelhasse com pautas da extrema-direita, o máximo que conseguiu foi deturpar algumas delas, como o próprio lema copiado do fascismo: Deus, Pátria e Família.

Os representantes do bolsonarismo negaram Deus por duas vezes, não se permitiram a “amar o próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39), uma na pandemia quando foram responsáveis por 736 mil mortes, números oficiais do Ministério da Saúde da época e que hoje sabemos que chegaram quase 3 milhões de mortos e a outra vez foi sobre o genocídio e omissão de socorro contra o povo Yanomami. Cerca de 20 mil garimpeiros ilegais invadiram a Terra Indígena Yanomami, impulsionados pela omissão estatal e pelo estímulo à atividade durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2023 centenas de crianças Yanomami morreram por causas evitáveis, como desnutrição grave, malária, pneumonia e diarreia, além da contaminação dos rios por mercúrio.

Eles se diziam patriotas, mas o esforço que fizeram para entregar a Pátria a outra nação, foi uma traição brutal aos brasileiros. Quanto a Família, o último representante do Bolsonarismo, ainda em liberdade, traia a mulher com garotas de programa em surubas. E defendia como advogado o matador de uma criança de 5 anos, além de fazer apologias à milícia e condecorar matadores de aluguel.

O bolsonarismo daqui a alguns anos será estudado em livros de psicopatologia que é a ciência que estuda a natureza, as origens, os sintomas e a evolução dos transtornos mentais e do sofrimento psíquico. Os estudiosos da mente humana certamente chegarão a conclusão de como milhares de pessoas, de níveis sociais e intelectuais diferentes, chegaram a esse estado de negação cognitiva, a essa dissonância cognitiva, esse processo mental em que a pessoa rejeita, ignora ou distorce fatos, informações ou a própria realidade e passaram a defender o bolsonarismo como numa catarse, dentro de um processo psicanalítico, trazendo conteúdos inconscientes, memórias dolorosas à consciência para gerar alívio emocional.

A vitória do Lula pode ajudar a direita verdadeira. Como? A direita terá 4 anos para se organizar, esquecer esse trauma do sequestro bolsonarista de que foi vítima e procurar um bom nome. Enterrar de vez a família Bolsonaro e trabalhar em cima de nomes novos. Aproveitar o exemplo de mobilização que os estudantes deram ao país, porque a vitória do Lula não foi do PT, foi da sociedade que se mobilizou para não querer um representante bolsonarista, se não fizer isso, Lula fará o seu sucessor. E na Bahia o povo deve urgente reformar a direita, sepultar os caciques da direita.

 

Fonte: Por Érico Cavalcanti de Albuquerque Lêdo