A “Mulher do Prefeito”, que é candidata a Dep. Estadual, sumiu, ignorou as garis que estão sem salário e ainda foram agredidas pela G.M
Publicado em 28 de setembro de 2026

Recebi nesta última quinta-feira (24) algumas mensagens via textos e msgs. de voz. As mensagens vieram de pessoas, conhecidas, que estavam na UPA para acompanhar parentes que precisavam de atendimento médico. Retornei para saber detalhes daquilo que estavam me relatando. Fiquei chocado com o que estavam me descrevendo. Homens e mulheres, funcionários da limpeza pública, vomitando, alguns respirando com dificuldade, todos com os olhos lacrimejando e com ardor intenso, homens e mulheres chorando. Os médicos e enfermeiros atônitos, correndo para atender à todos. Me descreveram um verdadeiro clima de terror.
Tudo isso consequência da agressão perpetrada, (o termo é este mesmo, porque foi um ato moralmente condenável, um crime, porque agredir alguém é crime no Brasil) contra os trabalhadores da limpeza urbana que reivindicavam o pagamento dos seus salários e de seus direitos. Causa indignação o relato que me fizeram e as imagens que eu vi em alguns sites e nas redes sociais mostrando trabalhadores homens e mulheres, recebendo os jatos do spray de pimenta no rosto, dirigidos maldosamente por integrantes da Guarda Municipal. Certamente estavam cumprindo ordens de algum superior.

A manifestação dos trabalhadores era para cobrar o salário que a empresa que estava atendendo a prefeitura, não pagou. Essa empresa, AS Engenharia, foi impedida de continuar atendendo a prefeitura pelo Tribunal de Justiça da Bahia, que suspendeu o processo de licitação da limpeza urbana devido a suspeitas de irregularidades. Qualquer manifestação de trabalhadores cobrando o que entendem ser um direito deles, tem que haver diálogo e respeito nas negociações. Não houve nada disso, tanto por parte da empresa quanto da prefeitura. A prefeitura, segundo fontes, deve ter achado que a empresa sendo privada ela não tinha responsabilidade com os funcionários.
Não tinha responsabilidade como patrão, mas tinha responsabilidade moral. Porque a empresa é de Salvador e quem trouxe ela para Teixeira de Freitas foi a prefeitura. Além do mais, os funcionários que estavam na empresa, servindo a prefeitura, são todos moradores de Teixeira de Freitas. Como o prefeito do município vira as costas para os munícipes que estão com uma demanda com essa empresa de fora? Isso foi um ato de covardia, essa covardia continuou quando a Guarda Municipal, que não tomaria a atitude que tomou, agredindo homens e mulheres trabalhadores, sem que os superiores não tivessem conhecimento. E o maior superior é o prefeito. Isso é muita covardia.

Várias mulheres foram agredidas, várias delas além de cumprirem seus horários, no trabalho árduo de limpar a cidade, ainda cuidam de filhos, pessoas da família doentes, maridos inválidos por acidentes de trabalho. Um dos relatos que recebi é de uma gari, eu a conheço há muito tempo, sei da sua luta, tem filhos, seu marido está inválido numa cama, depende dela para tudo, ela recebeu o spray de pimenta no rosto, passou muito mal. Nenhuma voz de alguém da prefeitura foi ouvida em defesa desses trabalhadores. Esperei até hoje pra ver se a candidata Penélope, que diz defender as mulheres e que não é de “direita e nem de esquerda é por Teixeira” disse num vídeo que assisti, se manifestaria em solidariedade, pelo menos, às mulheres. Engano meu, mas seguindo o que dizem dela, que não gosta de pobre, tá coerente.
É bom que as mulheres saibam escolher o voto, ali na urna ninguém tá vendo em quem votou.
Fonte: Por Érico Cavalcanti de Albuquerque Lêdo

