Atores políticos viram casos de polícia, com prejuízos graves a duas campanhas eleitorais
Publicado em 20 de abril de 2026

No caso da fuga do presídio de Eunapolis, onde chefes e integrantes de facções criminosas pagaram (segundo consta na delação premiada da ex-diretora do presídio) dois milhões a atores políticos conhecidíssimos na política baiana, para facilitação da fuga empreendida, o caso ganhou a imprensa e consequentemente as redes sociais. Vários sites noticiaram fartamente com detalhes, no país todo, eu cheguei a ler sites de Belém, de Manaus e durante toda a semana, toda engrenagem montada para esse crime e como os envolvidos atuaram e o que receberam.
Não vou aqui reproduzir o que já foi tão bem descrito pelos jornalistas que escrevem sobre casos de polícia. Vou me limitar a abordar um ponto e suas consequências, que nenhum deles abordou com profundidade, talvez pela necessidade de abordar a ação criminosa de maneira geral, como é a técnica usada para casos de polícia. Vou abordar o que chamo de “pontos contundentes” da delação premiada feita pela ex-diretora.
Antes é bom que os leitores saibam o que uma delação premiada significa. Para que uma delação premiada ou colaboração premiada seja aceita no Brasil, ela deve ser voluntária, eficaz para identificar coautores, recuperar produtos do crime ou localizar vítimas, para resultar em benefícios legais a quem esteja fazendo a delação, como a redução de pena ou perdão. O acordo é negociado com a polícia ou MP, assinado pelo advogado e homologado por um juiz.
Entre todos os requisitos fundamentais para a aceitação da delação premiada, existe um da mais alta importância, é o requisito da veracidade. Aquele que se dispõe a fazer a delação deve narrar apenas a verdade, sob pena de perder os benefícios e responder por falsa comunicação de crime. Ninguém quer perder os benefícios de uma delação, então tudo o que a ex-diretora delatou é verdade. Não à porque inventar uma história e depois descobrir que aquela história é uma mentira.
Dito isso, vamos pinçar alguns pontos que estão no meio da delação
A ex-diretora afirmou que Uldurico Júnior dizia que metade do dinheiro da fuga seria para ele, e a outra metade para um chefe, se referindo ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB). Geddel gravou vários vídeos negando envolvimento com o caso.
Ele sabe o que significa ser acusado numa delação premiada, o passado dele com o escândalo das malas com 51 milhões, já o colocam no topo da cadeia alimentar desse novo escândalo. Por isso anda nervoso, agredindo as pessoas nas redes sociais. O diretor da SEAP Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia, José Castro, foi indicação de Gedel, ele foi nomeado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) como parte da cota de indicações do MDB, substituindo outro que também era indicado pelo mesmo partido.
Através de Gedel o Uldurico Jr. promoveu uma agente penitenciária em diretora do presídio de Eunápolis e agora ele diz que nunca viu essa ex-diretora. Políticos sentando com traficantes para negociar fuga. Segundo Gedel as pessoas que criticam é que são vagabundos, ele é o anjo. O certo é que ele é um dos que estão trazendo prejuízo para a campanha de reeleição do Governador Jerônimo.
O outro que o Governador Jerônimo deve afastar e não sabemos o motivo e a razão que ainda não fez, é o Secretário de Relações Institucionais (SERIN), Adolfo Loiola, também articulador político do governador. Uldurico Júnior o acusou em carta de: enriquecimento ilícito. Essa acusação está repercutindo no país inteiro via redes sociais, os comentários são os mais contundentes contra o PT e o Governador Jerônimo. Se não for afastado do governo o estrago será ainda maior para a campanha do Governador. Já basta o estrago que Gedel está fazendo.
Vamos agora para o estrago e futuro rombo na campanha da “penélope pdt”, essa invenção política do “marcelo cpi”
Na delação premiada da ex-diretora do presídio de Eunápolis, consta uma menção ao nome de David Loiola, Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Teixeira de Freitas. E na delação premiada da ex-diretora, quando ela era agente penitenciária no presídio de Teixeira de Freitas, Uldurico Júnior já frequentava a unidade para realizar reuniões a portas fechadas com os detentos, o que era tratado como algo "normal" pelos colaboradores. O ex-deputado federal era acompanhado por David Loyola, Secretário de Desenvolvimento Econômico de Teixeira de Freitas e irmão do Secretário Estadual de Relações Institucionais (Serin), Adolpho Loyola. As reuniões à portas fechadas com toda certeza não seria para ler a Bíblia para eles, seria para captar votos na periferia de Teixeira de Freitas, aonde os chefes do tráfico de drogas e do submundo do crime tem o domínio, e com os quais eram feitas essas reuniões.
Não temos como saber se esse modus operandi que Davi Loiola usou na campanha com Uldurico Júnior, poderá ser usado também na campanha da “penélope pdt”. Esse é outro que deverá ser afastado o quanto antes. Antes mesmo de ser também acusado de enriquecimento ilícito na futura delação premiada de Uldurico Júnior.
Fonte: Por Érico Cavalcanti

